A Sala de Aula
Entre desafios invisíseis, dados alarmantes e a luta pela saúde mental, professoras constroem, todos os dias, uma sala de aula bilíngue possível.

Em 2011, a organização não governamental Todos Pela Educação, uma entidade da sociedade civil cujo objetivo principal é a defesa da educação pública no ensino básico, lançou uma campanha de conscientização acompanhada de uma música intitulada "Um Bom Começo, Um Bom Professor". A letra afirma:
"A base de toda conquista é o professor.
A fonte de sabedoria, um professor.
Em cada descoberta, cada invenção,
Todo bom começo tem um bom professor."
Esses versos me fizeram repetir, quase como um mantra: "Todo bom começo tem um professor." E foi nessa cadência que me vi imersa em reflexões. Afinal, em qualquer jornada ou conquista, há sempre um professor presente, moldando caminhos e ampliando horizontes. Foi com essa perspectiva que deixei o Centro Especial Elysio Campos, em Goiânia, durante visita. Na escola, conheci Cristiane Lacerda, uma professora com presença potente, cuja jornada no ensino inclusivo mostra que educar vai muito além de transmitir conhecimento.
Cristiane, que leciona no 5° ano do ensino fundamental, aprendeu desde cedo que o silêncio também pode ser eloquente. Com uma trajetória consolidada na rede pública estadual, encontrou no ensino inclusivo uma oportunidade de fazer a diferença. “A acessibilidade sempre fez parte da minha vida”, conta olhando para mim expressando espontaneidade. “Estar aqui é lindo. Foi onde eu me encontrei melhor. Me adaptei pelo fato de trabalhar numa área que tem tudo a ver com que eu vivo,” disse. Portadora de deficiência auditiva, desde 2019, dedica-se ao ensino na escola bilíngue de Goiânia.
Na mesma manhã, conversei também com Denise Vieira Nunes, professora com duas décadas de experiência, que se mostrou aberta para conversar comigo. A trajetória da professora na educação de surdos começou de forma inesperada. Quando passou no concurso público, foi lotada no Centro Bilíngue. Sem formação especializada na época foi aprender LIBRAS no dia a dia. “Eu não tinha acesso à pessoas surdas, então comecei a fazer os curos”, recorda.
No Brasil, a Língua Brasileira de Sinais, LIBRAS, foi reconhecida como idioma em 24 de abril de 2002, quando a Lei n° 10.436 foi regulamentada. A partir da sanção da lei foi estabelecida a obrigatoriedade de sua utilização em instituições públicas e privadas de ensino e em serviços de saúde, garantindo o direito à comunicação e à educação bilíngue para as pessoas surdas no Brasil. Apesar desse marco, a inclusão plena ainda enfrenta barreiras estruturais.
Segundo o Censo Escolar de 2022, realizado pelo Ministério da Educação e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), dos 47,3 milhões de alunos matriculados na educação básica, 1,5 milhão possui alguma deficiência e está inserido em turmas de educação especial. Entre esses estudantes, 61.594 apresentam algum tipo de deficiência relacionada à surdez.


Mesmo após o reconhecimento da Libras como idioma e com as políticas públicas vigentes voltadas para a educação inclusiva, as professoras Cristiane e Denise relatam que o desafio é diário, pois antes de aprender português, matemática ou ciências, os alunos precisam dominar a Libras. “O aluno surdo tem uma perda na questão da escolaridade” explica Cristiane. “Ele precisa aprender Libras. A língua de sinais é nossa prioridade, porque depois que se aprende Libras se abre caminhos para novas aprendizagens”, afirma.
Currículo que falha
Apesar do esforço das professoras, a estrutura educacional ainda deixa lacunas. O currículo nacional não contempla as especificidades da educação de surdos, e as adaptações partem exclusivamente das docentes. Enquanto alunos ouvintes avançam no currículo tradicional, os alunos surdos enfrentam uma maratona dupla: aprender Libras como língua materna e o Português como segunda língua. Denise detalha o dilema: pontua. “Seguimos a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), mas ela não foi pensada para alunos surdos”, critica Denise. A falta de um plano pedagógico específico desafia as professoras a reinventarem as aulas todos os dias. Cristiane complementa: “Se tivéssemos um currículo adequado, ganharíamos tempo e eficiência"
"Hoje, tudo é um improviso".
Tecnologias como televisões e computadores também fazem parte da rotina. Mas o recurso mais importante é a adaptação. “Cada aluno está em um nível diferente, e precisamos respeitar isso, às vezes, ensino quatro conteúdos diferentes ao mesmo tempo, porque o aprendizado deles depende do ritmo de cada um”, explica Denize
As metodologias são variadas, mas têm um ponto em comum: a visualidade. Atividades lúdicas, jogos e vídeos tornam-se ferramentas essenciais. Para a professora, esse trabalho exige criatividade e, sobretudo, paciência.
“Não basta saber Libras, é preciso criar um ambiente onde eles se sintam visíveis e ouvidos”.

Ilustração: @institutoitard
Saúde Mental dos Profissionais da Educação
Além da responsabilidade de ensinar e gerenciar uma sala de aula com diferentes necessidades, muitas professoras enfrentam uma carga emocional intensa ao lidar com histórias de vida diversas e desafios que vão além do ensino tradicional.
A psicóloga Caroline Feitosa, especialista em psicoeducação, reforça a necessidade de um suporte adequado para esses profissionais: "O professor já tem a responsabilidade de ensinar todos os alunos, e ainda precisa acolher as especificidades de cada um. Isso é uma sobrecarga muito grande. Muitas vezes, ele não tem um intérprete ou professor de apoio na sala, e precisa lidar sozinho com as dificuldades. Isso gera um desgaste enorme e pode impactar tanto a qualidade do ensino quanto a saúde emocional do professor", comenta.
A sobrecarga docente pode gerar impactos negativos tanto no desempenho profissional quanto na qualidade de vida das professoras. Em comparação com outras profissões, professores apresentam taxas significativamente mais elevadas de problemas de saúde mental, incluindo ansiedade e depressão. Um levantamento da RAND Corporation, realizado em 2023, demonstrou que educadores brasileiros são quase duas vezes mais propensos a relatar estresse frequente relacionado ao trabalho em relação a outros profissionais nos Estados Unidos.
Já pesquisas realizadas em território nacional apontam como se comportam os números na realidade do país. A pesquisa Saúde Mental dos Educadores de 2022, realizada pela Nova Escola em parceria com o Instituto Ame sua Mente revela que o número de educadores que consideram sua saúde mental “ruim” ou “muito ruim” aumentou em relação ao ano passado: de 13,7% para 21,5%. Em 2020, esse indicador havia ficado em 30,1%.
A pesquisa buscou ainda que os sentimentos mais intensos e frequentes são ansiedade (60,1%), seguidos por baixo rendimento e cansaço excessivo (48,1%) e problemas com sono (41,1%). Há, ainda, outros problemas apontados, como dificuldade de socialização e isolamento, sensação de tristeza e aumento do consumo de psicoativos e álcool.
Segundo a especialista Carolina Feitosa, muitos profissionais da educação enfrentam crises de ansiedade, sintomas de depressão e, em casos mais graves, chegam a abandonar a profissão devido ao estresse excessivo - nesse sentido, a Síndrome de Burnout foi incluída no Código Internacional de Doenças em 2022. A doença se caracteriza pelo distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastante, que demandam muita competitividade ou responsabilidade. A principal causa da doença é justamente o excesso de trabalho.
Uma política pública vigente para amenizar os impactos do esgotamento dos professores é a Lei nº 13.935/2019 que trata da legislação aprovada em 2019, que garante a presença de profissionais da Psicologia e do Serviço Social nas unidades da rede pública de educação básica em todo o território nacional.
Embora aprovada a lei federal em 2019, a lei que assegura a presença de psicólogas(os) e assistentes sociais na educação ainda não está efetivamente implementada em todas as localidades do país. Em 2023, no estado de Goiás, a Assembléia Legislativa do Estado de Goiás, (ALEGO), aprovou em definitivo um projeto de lei que prevê a obrigatoriedade da presença de psicólogos escolares nas redes públicas de ensino fundamental e médio do estado de Goiás. De autoria dos ex-deputados Diego Sorgatto e Cláudio Meirelles, a proposta está protocolada na Casa Legislativa sob o nº 1424/19, e aguarda a sanção do governador Ronaldo Caiado (UB).
Segundo o texto do projeto deliberado na casa legislativa do estado, a rede pública estadual de educação básica deverá contar com o serviço de psicologia escolar em todas as unidades escolares para atender as necessidades e prioridades definidas pelas políticas de educação. O psicólogo escolar, devidamente habilitado, terá a função em cada unidade escolar de atuar junto às famílias, corpo docente, discente, direção e equipe técnica, com vistas à melhoria do desenvolvimento humano dos alunos, das relações professor-aluno e aumento da qualidade e eficiência do processo educacional, através de intervenções preventivas, podendo recomendar atendimento clínico, quando julgar necessário.
Com a obrigatoriedade da presença de psicólogos escolares nas redes públicas de ensino de Goiás, espera-se que seja possível prevenir problemas como violência e bullying, além de contribuir para a formação integral dos alunos, promovendo o bem-estar emocional e psicológico dos estudantes e docentes. Caso o projeto seja aprovado, o sistema estadual de ensino terá seis meses para tomar as providências necessárias ao cumprimento de suas disposições para atendimento clínico, quando julgar necessário.
A psicóloga Caroline Feitosa destaca a importância de acolher os profissionais da educação, ressaltando que o bem-estar dos docentes reflete diretamente na aprendizagem dos alunos. "O professor é a base. É essencial incentivá-lo a buscar capacitação, mas, acima de tudo, garantir um ambiente que favoreça seu desenvolvimento profissional. Quando o professor está bem, o impacto positivo na educação é imediato", completa.
A profissional reforça ainda que o apoio da família junto com as professoras torna o aprendizado e as relações humanas mais inclusivas.
Ensino e família
Se aprender Libras e português representa um salto para os estudantes, a ausência da língua de sinais em casa compromete ainda mais o desenvolvimento da criança. Muitos pais não dominam Libras, criando barreiras de comunicação entre pais e filhos. “A família precisa participar, mas nem sempre consegue”, lamenta Denise. O Centro Elysio Campos oferece cursos, mas a adesão é baixa. “Falta tempo, interesse e, às vezes, coragem para encarar o desafio de aprender um novo idioma”, desabafa a professora.
O impacto dessa ausência é sentido de forma intensa pelos alunos, que, ao voltarem para casa, encontram-se muitas vezes imersos em um silêncio involuntário. Sem Libras como ferramenta de comunicação familiar, a criança surda não apenas enfrenta dificuldades no aprendizado, mas também lida com a solidão dentro do próprio lar. Cristiane reforça: “Ensinamos Libras na escola, mas, ao chegar em casa, muitos voltam para o isolamento.”
Como ressaltaram as professoras Denise e Cristiane, o processo de aprendizagem de uma segunda língua ainda enfrenta desafios, seja pela falta de tempo, de recursos ou até mesmo de informação. No entanto, aqueles que demonstram maior dedicação, apoiam a continuidade de seus filhos nessa jornada e acabam se tornando parte dessa transformação. Foi o que aconteceu na casa de Fayda e Marcos Paulo.
No dia 3 de fevereiro de 2025, Fayda viveu um momento de grande emoção. Por muito tempo, ela foi a única da família fluente em Libras, mas agora o marido e o filho mais velho davam os primeiros passos no aprendizado da língua. A decisão de ambos não foi apenas um gesto de carinho, mas também um compromisso com a inclusão e a comunicação dentro do próprio lar. “Meu marido e meu filho mais velho começam no curso hoje”, revelou Fayda com um sorriso que misturava orgulho e alívio.
Sempre que meu filho surdo tentava se expressar, meu filho mais velho me ligava e perguntava: ‘Mãe, o que o Marcos está dizendo?’. E eu sempre respondia: ‘Aprenda! Se você conseguiu aprender inglês sozinho, pode aprender Libras também. Faça isso pelo seu irmão’.”
O envolvimento dos pais no processo terapêutico é fundamental, pois a família desempenha um papel central no desenvolvimento emocional e comportamental da criança. Antes de iniciar o atendimento direto com a criança, é essencial oferecer suporte e acolhimento à família, proporcionando um espaço seguro para que possam expressar suas preocupações, medos e desafios. A psicóloga bilíngue, Libras/Português, Caroline Feitosa aponta que o amparo emocional para as famílias permite que eles se sintam fortalecidos para lidar com as demandas da criança, além de compreenderem melhor seu papel no processo terapêutico.
Segundo a profissional, a participação ativa dos responsáveis fortalece os vínculos afetivos e proporciona um ambiente mais seguro e estruturado para o desenvolvimento emocional da criança. “No primeiro contato, é essencial escutar os familiares, entender suas angústias e oferecer um espaço de acolhimento. A psicoeducação é uma ferramenta fundamental nesse processo, pois ajuda a família a compreender melhor os desafios enfrentados pela criança e a desenvolver estratégias para apoiá-la no dia a dia”, explica Caroline.
Além disso, a criança se sente pertencente ao ambiente em que está inserida. A decisão da família de Marcos Paulo, não era apenas sobre aprender Libras; era sobre quebrar o ciclo do isolamento, sobre mostrar que o esforço pela inclusão começa dentro de casa.
Romper ciclos exige coragem, mas também traz consigo um peso silencioso: uma dúvida. Toda mãe, em algum momento, se pergunta se está fazendo as escolhas certas, se está realmente proporcionando ao filho aquilo que ele precisa para crescer feliz. Esse questionamento não nasce da insegurança, mas do desejo genuíno de acertar, de preparar o caminho mais bonito e acolhedor possível.
Marina Holanda traduz esse sentimento com palavras que tantas mães podem considerar em seus próprios corações: "Porque a mãe está sempre escolhendo. Na infância, você está sempre fazendo as primeiras escolhas por outro ser. Então eu fiquei em crise, né? E essa crise me acompanha. Eu sempre me questiono: estou fazendo a coisa certa?" Esse é um dilema constante da maternidade. Escolher, decidir, abrir caminhos para um outro ser que, por si só, ainda não pode fazer essas escolhas. E nesse processo, o medo de errar caminha de mãos dadas com o amor infinito que move cada decisão.
Romper ciclos é mais do que simplesmente mudar um comportamento ou adquirir um novo conhecimento: é abrir portas para possibilidades que antes eram inalcançáveis. É desafiar o que sempre foi imposto e construir algo diferente, algo melhor. Muitas vezes, esses ciclos não são rompidos por falta de amor, mas por desconhecimento, por hábitos enraizados que se perpetuam sem que percebamos. E quando alguém decide quebrá-los, está, na verdade, escolhendo reescrever uma história.
Naquele dia, enquanto me concedia a entrevista, Fayda sabia que um novo ciclo estava começando. Sua família não apenas aprenderia uma nova língua, mas desafiou um padrão que, por muito tempo, manteve e ainda mantém muitos lares em silêncio.
Lições em Libras

Com apoio da língua de sinais educadoras constroem um modelo de ensino baseado na acessibilidade e no afeto
Cumplicidade, respeito, paciência. Três palavras que aqui não descrevem apenas virtudes, são alicerce, respiro e linguagem. Aila Cristina e Anna Carolina, professora surda e intérprete de Libras, dividem a sala de aula há sete anos. Mas o que constroem ali vai muito além da lousa: compartilham o tempo e a cumplicidade no dia a dia.
A escola municipal tem aquele cheiro antigo e doce de giz, caderno e lanche fresquinho. Um largo corredor leva até a sala onde me esperam com um sorriso que dissolve qualquer formalidade. A recepção não vem com protocolos, vem com afeto.
A sala é familiar: carteiras levemente desalinhadas, um ar condicionado no canto da sala, recados colados com fita crepe nas paredes já um pouco desbotadas. No fundo, um mural de TNT colorido tenta contar histórias com seus recortes de E.V.A. — uma fazendinha delicada, de personagens sorridentes e girassóis que, mesmo tortos, se esforçam para olhar o alto.
Há também outros visitantes. Acima do burburinho das crianças, ouve-se o canto de passarinhos que moram ali, entre o telhado e o forro. Não sei dizer a espécie, mas sei do encanto. De vez em quando, pousam discretamente sobre as vigas, como se também assistissem à aula ou participassem da entrevista. O som que produzem agudo, intervalado, parece costurar o tempo.
Nos sentamos. O tempo, ali, não corre. Se acomoda. Era a primeira entrevista delas, e havia um nervosismo doce no ar. Um mexer de dedos, um respirar mais fundo entre uma frase e outra. Mas não era medo de errar. Era um frio na espinha típico de quem, pela primeira vez, pode mostrar ao mundo como tudo acontece, de verdade.
Nos olhos, um brilho que não é só reflexo da luz ou da câmera. É de dentro. Vem do secreto de cada um. Porque todo mundo tem uma história. Mas nem sempre sabe que tem. Ou como contar. E ali estavam elas: ocupando um espaço que, por muito tempo, simplesmente não existiu. Respondendo perguntas que nunca tinham sido feitas.
Embora conheçam de perto as dificuldades e as exigências do cotidiano, dar nome à grandeza do que constroem e tomar nota disso, é tarefa desafiadora. Há coisas que se sentem antes de se dizer. E talvez por isso, mais do que ensinar, o que elas fazem seja um contínuo gesto de tradução do mundo.
E se até aqui você apenas imaginou cada detalhe, o som dos passarinhos, os sorrisos, os silêncios partilhados, agora pode ver e ouvir por si.
Neste momento, o gesto vira imagem, a escuta se expande e a história ganha corpo. Anna Carolina e Ailla compartilham suas trajetórias.
Na sala de aula, o tempo urge como um sino a badalar na consciência da educação. A Libras pulsa como a voz silenciada que anseia ecoar nos corredores da escola.
Embora tentem estimular os alunos surdos a aprenderem Libras, as professoras esbarram no oralismo que se infiltra na rotina da família, e, que se esbarra, invariavelmente, nas paredes da sala de aula. Ali, professoras, heroínas cotidianas, tecem a difícil trama do aprendizado, explicar para as famílias a importância da Libras como uma alternativa possível.
Na escola, a professora e a intérprete compartilham a esperança de que a Libras seja cada vez mais reconhecida e valorizada como um caminho para ampliar as oportunidades de aprendizagem, comunicação e inclusão das crianças surdas e de suas famílias.
Em seus olhares, as professoras carregam a convicção de que a plena aceitação da Língua Brasileira de Sinais pode abrir caminhos antes inimagináveis. Onde barreiras linguísticas se desfazem, e o acesso ao conhecimento, à cultura e à interação social se tornem irrestrito.
Educar é abraçar todas as formas de ser e existir. É construir pontes onde antes havia muros, é perceber que cada criança carrega dentro de si um universo inteiro, pronto para ser descoberto. Na diversidade dos olhares, das vozes e dos silêncios, a educação encontra sua maior beleza: fazer germinar sonhos, respeitar caminhos e transformar vidas.
A verdadeira educação nasce quando reconhecemos que aprender é muito mais do que repetir palavras: é tocar a alma, é libertar o pensamento, é dar sentido às experiências, porque a educação não é apenas um ato político, mas sim, um ato revolucionário.
Educar é não aceitar o óbvio, é olhar para cada criança como quem contempla uma obra de arte única. É entender que ensinar não é moldar, mas iluminar caminhos. É acreditar que toda voz — falada, sinalizada, sentida — tem um valor infinito. E que, na dança das diferenças, está o segredo para um mundo mais pleno, mais livre e mais feliz. A educação, em suas múltiplas formas, é um ato de resistência e esperança. É a coragem de sonhar novos futuros a partir da pluralidade de existências.
Hora da História

Agora é hora de respirar fundo e mergulhar nas histórias que atravessam a sala de aula de outros jeitos.
Nesta sessão, você encontrará três blocos distintos, cada um com a voz de um(a) autor(a) diferente. São entrevistas-perfil com pessoas que, a partir de suas trajetórias e vivências, refletem sobre a Libras em múltiplos formatos, seja no modo de viver, seja na maneira de fazer educação. São olhares sensíveis e sobre os encontros possíveis entre linguagem, escuta e imaginação.
Aqui, o leitor pode circular livremente entre as narrativas como quem passeia por diferentes janelas abertas dentro de uma mesma casa. Você pode começar por onde quiser, voltar, reler, seguir. O importante é se permitir atravessar por essas histórias e escutar o que elas têm a dizer.
